segunda-feira, 23 de julho de 2007

Discurso inaugural - superior provincial

É com muita alegria que abro os trabalhos desta 1ª Assembléia Geral Extraordinária da nova Província Brasileira Meridional, desde a sua criação em 2003. Reza o nosso DP que a assembléia provincial realizar-se-á, ordinariamente, de dois em dois anos e, extraordinariamente, quando se fizer necessário (DP 163.3). Como tivemos a 2ª assembléia da BM, em julho do ano passado, esta é extraordinária.
Dou as boas vindas a todos. Que nesses dias possamos fazer a experiência da autêntica fraternidade dehoniana. De modo especial acolhemos em nosso meio, o Pe. Cláudio Weber, nosso conselheiro geral e primeiro assistente. Nossa Província, qual nova entidade, merece especial acompanhamento para que encontre definitivamente o seu caminho e produza os frutos esperados. Portanto, Pe. Cláudio, sinta-se à vontade para orientar, sugerir e corrigir, se necessário for.
Saudamos também todos os jubilares que já estão em nosso meio, e os que virão durante a nossa reunião. Queremos juntos erguer um preito de ação de graças pelos 65, 50, 40, 25 anos de vida religiosa ou sacerdotal, vividos na fidelidade e total doação a Deus e à Igreja, na Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus!
O que motivou a convocação desta assembléia extraordinária foram os assuntos que serão os temas de nosso estudo nestes dias: a dinâmica de nosso Guia Vocacional; a implementação da caixa comum - sua maior visibilidade; o desafio da missão “além fronteiras” e questões ligadas à formação e aos seminários. Por ocasião de sua recente visita à BM, o Superior Geral, P. José Ornelas, insistiu muito na prática da partilha, incentivando a adoção definitiva da caixa comum. Lançou um grande desafio à Província BM para assumir a Missão Angola, como missão “além fronteiras”, juntamente com outras províncias. Pediu também que a Província tenha a coragem de assumir novas frentes de trabalho, deixando áreas tradicionalmente dehonianas. Encorajou-nos ainda para rever as estruturas de formação e, se preciso for, desfazer-nos ou dar outro destino para os grandes seminários que temos.
O Guia Vocacional, elaborado pela assessoria vocacional e editado, “ad experimentum”, pela Província BC, está na origem e na base de nossa discussão sobre uma nova dinâmica para o Guia Vocacional, agora adaptada à nossa realidade.
O fato de nos debruçarmos sobre este material já é em si significativo, pois nos permite tomar conhecimento desta importante ferramenta, para a nova animação vocacional a ser desenvolvida em nossa Província. É bom lembrar sempre o que diz o Diretório Provincial a respeito do trabalho de animação vocacional: a promoção das vocações à Vida Religiosa e Presbiteral ocupa lugar vital na Província e deve ser preocupação de todos os religiosos (cf. VC 64 § 3) que atuam na formação e na pastoral.
É fundamental que cada paróquia tenha uma equipe de Serviço de Animação Vocacional (SAV). Digo mais, ainda que tenha um religioso dehoniano encarregado do SAV na paróquia, ela deve ser acompanhada de perto pelo pároco.
Quanto ao projeto da Caixa comum, vale lembrar que em todo o processo de refundação e revitalização da vida religiosa, que inclusive motivou a criação das duas Províncias no Sul do Brasil, foi forte a insistência sobre a implementação da Caixa comum. Tendo presente a nova estruturação da Província BM, a valorização das comunidades locais, com seus Superiores e Ecônomos, a recente visita do Superior Geral e sua exortação para a prática da partilha fraterna em todos os níveis, acreditamos oportuno promover na Província uma séria reflexão e uma tomada de posição sobre a questão da Caixa comum.
Quero aqui lembrar uma frase da recente carta do Geral à Província BM: “A partilha dos bens é uma dimensão básica da comunhão fraterna, no contexto da vida religiosa. O princípio fundamental da partilha dos bens, na nossa Congregação pode exprimir-se assim: tudo o que possuo, ganho, ou me oferecem pertence à comunidade; e tudo aquilo de que tenho necessidade, para minha vida e missão, recebo da comunidade”.
Portanto, está na hora de ousarmos um pouco mais e adotarmos as medidas necessárias, para que a prática da caridade, mediante a caixa comum, seja uma realidade da Província BM.
Em relação ao tema das missões, recebemos da parte do Governo Geral uma proposta desafiadora e que merece uma atenção especial.
Evoco a lembrança de um trecho da Carta do Geral, de dezembro de 2006: “A Conferência de Varsóvia acentuou a importância de colocar novamente no centro do nosso serviço ao mundo o anúncio e o testemunho de Jesus Cristo. Não podemos reduzir-nos ao papel de prestadores de “serviços religiosos” a um grupo cada vez mais reduzido de fiéis. É necessário “sair das sacristias”, da comodidade, dos nossos medos, dos preconceitos e da falta de preparação. É preciso renovar a coragem do anúncio. Somos embaixadores de Deus, para levar ao mundo, com o serviço da nossa vida, palavras e obras, o Evangelho da paz, da dignidade, da justiça e da esperança que não morre.” (...)
“A participação na missão do Instituto e da Igreja deve ser um ponto fundamental de cada Província. Para partir em missão não se deve ficar à espera que todas as necessidades pastorais e sociais do próprio país sejam satisfeitas. Com este espírito, o Evangelho nunca teria saído de Jerusalém... A missão da Igreja foi sempre possível graças ao óbolo da viúva, à generosidade dos pequenos, à solidariedade dos pobres. E todos estes foram abençoados por Deus pela sua generosidade”. (cf. Carta pessoal do Superior Geral de 03 dezembro de 2006).
Diante dos constantes apelos que nos vem da Congregação e dos nossos Pastores e diante dos desafios do mundo globalizado, do Nós Congregação, será que não é chegou o momento de dar um passo corajoso no sentido de nos comprometer mais com a missão além-fronteiras?
A constante avaliação e revisão de nossas obras, estruturas formativas e conteúdos é uma necessidade. Percebemos que há elementos novos que justificam e motivam para a busca de soluções e alternativas. Penso que seja possível dar uma nova destinação para algumas das nossas casas que até agora serviram à formação. O Noviciado, por exemplo, dar-lhe destino diverso daquele que sempre teve, à semelhança do que vem sendo feito com o seminário de Corupá.
O Iter formativo prevê um ano de Postulantado. Mas será que ele deve acontecer depois de três anos de Ensino Médio (ou um ano de Propedêutico) e mais três anos de Filosofia?
Se os nossos SAVs e TREVOS funcionarem como previsto, o candidato, após no mínimo 4 e máximo 7 anos de Seminário, precisará ainda de mais um ano especificamente de postulantado para discernir sua vocação e entrar no Noviciado?
Portanto, meus caríssimos confrades, renova uma vez mais as boas vindas. Agradecemos desde já a Casa Dehon por acolher esta assembléia. Ela que está completando 25 anos de serviços à Comunidade, e que nesse ano reabriu sua portas de novo para encontros e retiros, depois de alguns anos emprestada integralmente para a formação.
E assim, depois de invocarmos o Espírito Santo, colocara nossas vidas sobre o Altar do Senhor e compormos a messa, declaro aberta esta assembléia geral extraordinára.
Concluindo, peço muita alegria, a solidariedade fraterna e o máximo empenho todos, para que o estudo destes temas aqui propostos, nos levem a responder de maneira criativa e pontual, para correspondermos cada vez melhor à nossa missão no mundo de hoje.

Pe. Léo Heck scj
Sup. Provincial

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